1 de mar. de 2010
Não tem cidade que aguente
Por
Reginaldo Nepomuceno
Um dos períodos mais chuvosos de todos os tempos, um prefeito-bomba prestes a ser cassado e uma população que joga lixo nas ruas e o voto no lixo. Junte tudo isso na maior cidade do país e transforme em um vídeo:Infelizmente não encontrei um vídeo com qualidade melhor, mas a verdade é que ele foi divulgado alguns dias antes de estourar o escândalo sobre as doações iícitas que a campanha de Gilberto Kassab recebeu (veja mais detalhes no blog Uma Opinião por Dia). Só eu vejo uma jogada para amenizar o impacto sobre a imagem pública do Kassab? E o estrago nas vidas afetadas pelas enchentes, quem vai amenizar?
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28 de fev. de 2010
Finalmente a corrupção empresarial entra em pauta
Por
Conceição
Em ano de eleição, multiplicam-se as denúncias de corrupção na mídia, mas quantas delas estão ligadas a empresas? Se esse é um palco onde os políticos fazem questão de ser personagens principais, saibamos que a direção, o roteiro e o financiamento do espetáculo passa, invariavelmente, pela classe empresarial brasileira. Por isso considero muito oportuna e corajosa a Carta às elites empreariais brasileiras que Oded Grajew publicou hoje na Folha, e q vc pode ler abaixoCarta às elites empresariais brasileiras
ODED GRAJEW
As elites empresariais só deveriam financiar e apoiar candidatos com ficha limpa. Elas precisam compatibilizar discurso e prática
NA CAMPANHA de 2002, o candidato Lula, tentando afastar os temores das elites nacionais, lançou a "Carta ao Povo Brasileiro", na qual se comprometeu a manter as bases da política econômica e respeitar os compromissos assumidos com organismos internacionais.
Lula sabia que, pelo sistema que vigora até hoje de financiamento de campanhas e pela influência das empresas de comunicação sobre os eleitores, dificilmente um candidato a presidente seria eleito sem um substancial apoio empresarial.
Na realidade, era uma carta dirigida às elites empresariais brasileiras, isto é, às lideranças compostas pelos dirigentes das maiores empresas e das entidades representativas do setor.
O Brasil tem melhorado. Olhando, porém, nossos indicadores sociais, a qualidade de nossos políticos e dos serviços e políticas públicas, o funcionamento do nosso sistema judiciário, os índices de degradação ambiental, a violência na sociedade e a corrupção nas relações sociais, econômicas e políticas, certamente podemos concluir que estamos muito longe do desejável e dos indicadores de desenvolvimento humano, de justiça social e de qualidade de vida atingidos pela maioria dos países desenvolvidos e de vários outros países até mais pobres do que o Brasil.
Nossas elites empresariais são muito poderosas. A maioria dos nossos políticos (e na democracia a maioria decide) são simples representantes das empresas que financiam suas campanhas. As empresas de comunicação exercem um enorme impacto sobre as decisões políticas, de consumo, de comportamento e de valores dos cidadãos.
As elites empresariais (da qual também faço parte) declaram que chegaram aonde chegaram graças a muito trabalho e competência, assegurando para si praticamente todos os direitos, como acesso a boa educação, saúde, moradia, transporte, segurança (gastam fortunas para se proteger), aposentadoria, lazer e cultura.
A mesma competência e dedicação deveriam agora ser usadas para que o grande poder acumulado pudesse ser convertido em correspondente responsabilidade pelo bem-estar de todos. E que tantos direitos assegurados sejam acompanhados de deveres com o país em que cresceram e vivem.
As elites empresariais deveriam financiar e apoiar apenas candidatos com ficha limpa, comprometidos em fazer a reforma que moralize o sistema político, em promover as mudanças que recuperem a credibilidade na Justiça e nas instituições democráticas, em implementar as justiças fiscal e tributária, em aprovar orçamentos públicos que sejam norteados pelo combate à desigualdade e em mudar legislações para que tenhamos mais empregos, trabalho decente e aposentadoria digna para todos. Também deveriam exigir dos candidatos e dos eleitos serviços públicos de qualidade, à altura da nossa carga tributária (das maiores do mundo).
As elites empresariais, que têm pleno conhecimento dos enormes riscos do atual modelo de desenvolvimento, deveriam usar seu poder para mudar nossos processos de produção e consumo e nossa relação com o meio ambiente e ajudar o promover o desenvolvimento sustentável do país.
As elites empresariais são formadoras de opinião, influenciam muitas pessoas pelo exemplo e comportamento. Nas ações, no dia a dia, na vida pessoal e na empresa, é fundamental serem coerentes com os valores declarados publicamente, compatibilizar discurso e prática.
Precisam respeitar as leis, ter um comportamento ético e cidadão, promover a cultura da solidariedade e da não discriminação, adotar hábitos de consumo que respeitem o meio ambiente, valorizar a vida e o bem-estar das pessoas acima dos interesses econômicos, investir bem mais na comunidade, dando um destino mais nobre a recursos ociosos e supérfluos e gerir as empresas de forma socialmente responsável.
No dia em que nossas elites empresariais, movidas até por interesse próprio, tomarem consciência da responsabilidade gerada pelo seu grande poder e pelos deveres decorrentes dos seus direitos adquiridos, o sonho de um Brasil mais justo, ético, seguro e próspero para todos e para as futuras gerações terá grande chance de se concretizar.
Será a única forma de mostrar que não agem movidas apenas por seus interesses econômicos e que praticam de verdade a responsabilidade social, e não a usam apenas como instrumento de marketing.
Espero que esta carta, qualitativamente diferente daquela de 2002, encontre destinatários maduros, cidadãos conscientes e sensíveis e lideranças à altura dos desafios e das oportunidades do nosso Brasil.
ODED GRAJEW, 65, empresário, é um dos integrantes do Movimento Nossa São Paulo. É também membro do Conselho Deliberativo e presidente emérito do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. É idealizador do Fórum Social Mundial e idealizador e ex-presidente da Fundação Abrinq. Foi assessor especial do presidente da República (2003).
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25 de fev. de 2010
A sustentabilidade é uma escolha política
Por
Conceição
Hoje o prof. José Eli da Veiga, autor do ótimo livro Desenvolvimento Sustentável, escreveu na Folha um texto lúcido e esclarecedor acerca das plataformas dos candidatos a presidência. No que concerne as nossas discussões no Publizität, a defesa da candidatura de Marina Silva cede espaço para o real entrave a adoção da sustentabildiade como novo paradigma político e econômico da nação. Abaixo o texto na íntegra:Só Marina é futuro
JOSÉ ELI DA VEIGA
O total contraste entre Marina Silva e os "favoritos" inviabilizará qualquer conciliação programática para o segundo turno
DESTA VEZ não há escapatória: o "fator Marina" obriga todos os pré-candidatos à Presidência a dar substancial destaque ao meio ambiente. E é provável que a questão seja muito bem tratada pelos dois favoritos, pois contarão com a ajuda dos competentes times de governos, conduzidos por Carlos Minc, no federal, e por Xico Graziano e José Carlos Carvalho, nos paulista e mineiro. Equipes em que predominam técnicos identificados com a senadora Marina Silva, mesmo que, por razões mais pragmáticas que altruísticas, não apoiem sua pré-candidatura.
Impõe-se, então, uma óbvia pergunta: poderá haver diferença significativa entre o discurso da senadora e os que serão os adotados pelos favoritos, caso realmente assimilem as ideias de seus ambientalistas?
Ao contrário do que parece, a resposta é um retumbante sim. E o total contraste inviabilizará qualquer conciliação programática para o segundo turno, mesmo que ocorra algum acordo por motivos táticos. Só não percebe quem esquece ou ignora o antagonismo que há entre o imperativo da sustentabilidade e a esclerosada visão socialdemocrata do capitalismo.
Por mais que tenha havido diversificação da fauna partidária socialdemocrata em seus quase 150 anos de adaptações a uma miríade de circunstâncias históricas e político-culturais, nada impediu que nela persistisse sua própria razão de ser, chame-se de "paradigma" ou de "DNA".
Do trabalhismo ao comunismo, passando por todas as espécies de socialismo, o essencial continua a ser a busca de maximização do crescimento econômico conjugada a políticas sociais que reduzam a pobreza e -quando possível- desconcentrem a repartição da renda. Nesse tronco pode ser facilmente enxertado um ramo ambiental, mas sem consistência, já que tomar cuidado com a base natural da sociedade atrita com a opção primordial por pisar fundo no acelerador do PIB.
A nova visão, que brotou no pós-1968, tanto repele a dicotomia entre as esferas social e ambiental da vida humana quanto abomina o reducionismo socialdemocrata por entender que o estilo de crescimento econômico é que deve ser subordinado ao objetivo de melhoria sustentável da qualidade de vida, e não o contrário.
Ou seja, absoluta prioridade "socioambiental" (só uma palavra bem antes de ser autorizada pela nova ortografia). Nada a ver com a concepção de turbinar o PIB com aborrecidas concessões a uma exigência ambiental que seria restritiva, além de separada da social.
Tudo isso poderia cheirar abstrato demais se não pululassem exemplos concretos. A suprema aspiração do governo foi acelerar o crescimento (PAC), criando os conflitos que tangeram a ministra Marina Silva para fora.
E Carlos Minc estava na mesma rota quando a mudança do quadro eleitoral provocada pela pré-candidatura de sua antecessora elevou a cotação do "cerradinho" em detrimento da "soja", segundo metáfora de Gilberto Carvalho sobre a índole de Lula.
Por acaso há político socialdemocrata que discorde da linha do governo Lula, esteja ele no PT, PSDB, PDT, PSB, PPS, PC do B ou PSOL, tenha ficado no PMDB ou baldeado para o atual DEM? Claro que não. Alguns adoram malhar a ineficiente gestão do PAC, mas só porque querem mais do mesmo. A nenhum jamais ocorreria a imprescindível necessidade de substituí-lo por um "Plano de Transição ao Ecodesenvolvimento", sem investimentos contrários à realidade socioambiental. Caso dos mais emblemáticos está na BR-319, que precisa ser abortada, e seus recursos transferidos para obras de saneamento ou de geração de energia limpa.
Sim, a economia brasileira ainda precisa crescer. E muito. Mas não de qualquer maneira, e ainda menos a qualquer custo, como querem os duetos Dilma/Ciro e Serra/Aécio. Para o projeto nacional que agora engatinha com Marina, importa muito mais a direção e a qualidade do crescimento econômico do que sua velocidade.
Aliás, se o contrário fosse melhor, este país já seria um dos mais desenvolvidos do mundo, pois nenhum outro PIB nacional aumentou mais do que o seu entre 1900 e 1980: algo como 50% mais do que o dos EUA.
Em suma: mesmo que o noticiário eleitoral coloque Marina numa suposta terceira via, ela está na primeira para o futuro do Brasil, pois todos os demais candidatos se engalfinham na carcomida segunda.
JOSÉ ELI DA VEIGA , 61, é professor titular de economia e orientador do programa de pós-graduação em relações internacionais da USP e autor, entre outras obras, de "Mundo em Transe".
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23 de fev. de 2010
PUC faz homenagem a Paulo Freire
Por
Conceição
Evento PAULO FREIRE VIVE!
O evento que celebra os 30 anos de presença do Prof. Paulo Freire na PUCSP.
· 25/02/2010
· 20h00
· Auditório TUCA
· Presença de Sua Eminência Reverendíssima Dom Odilo Pedro Scherer; do Magnífico Reitor Prof. Dr. Dirceu de Mello e da Profa. Ana Maria Freire (viúva do Prof. Paulo Freire)
· Aula Magna - Profa. Luiza Erundina
· Entrada Franca
Se vc é aluno, engajado em projetos educacionais e sociais ou não, a sua participação é muito importante. Todos na PUCSP tem implicações com a história e a obra deste grande mestre. E para quem trabalha com sustentabildiade, as ideias de Paulo Freire estão mais atuais do que nunca.Leia mais>>
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17 de fev. de 2010
O Pós-Guerra da Guerra Fria
Por
Vitório Tomaz
Eu tenho um jeito de começar a escrever meus posts e textos que considerado coloquial, mas este jeito tem parecido tão chato que to buscando uma nova forma de escrever, ainda não descobri. Mas, este não é o tema central deste post, pelo menos não tão central. De alguma forma essa percepção é fruto de uma reflexão maior, sobre um modelo de "macro comunicação" que será eficaz para salvarmos o mundo da destruição e aniquilação completa :(. Pronto, agora sim o papo é de maluco, mas não por que eu esteja falando maluquice, simplesmente por que a discussão passa longe do mundo real.Bem, a idéia deste post surge a partir de várias reflexões fundamentadas em discussões e principalmente análises sobre a maneira como estamos usuando o planeta, como ele está respondendo e como estamos contra respondendo. E para começar a alicerçar a discusão quero lhes apresentar a página: http://www.esb.ucp.pt/gea/myfiles/pegada/nacoes.htm, trata-se de um estudo sobre a média per capita de países no que diz ,respeito a Pegada Ecológica e um alinhamento com outros dados como a capacidade biologica de cada país e seu déficit. Os dados não me parecem otimistas, em especial quando pensamos que os maiores esforços para conter o aquecimento global até então são esforços e acordos voltados para o clima e entre corporações e governos. E que quando levamos em consideração os esforços para conter o consumo individual e localizado ele é quase nulo, já que vai contra a lógica capitalista.
Fiquei meio curiso com a tabela acima, e ingenuamente resolvi dar um novo tratamento de dados para ela, desta vez ordenando através dos países com a maior pegada para a menor, e mantendo na tabela apenas os países com pegada maior que 8 e os com pegada menor que dois, tive um resultado amendrontador, mas que deixa muito claro por que o COP-15 foi um fracasso, vejam a tabela aqui: publizitat.googlegroups.com/web/pegada_ecologica_contraste.
Enquanto que na tabela China e India estão entre os países com a menor pegada, por razões talvez bastante óbvias, como o atraso em seu "desenvolvimento" os mesmos países estão entre os 10 maiores emissores de CO2: www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/414/matj_414.htm, por razões também muito obvias, ligadas a sua enorme população.
O grande pesadelo nisto tudo, e o grande desafio é imaginar como será a China e a Índia desenvolvendo e consumindo ao estilo Americam way of life, o mesmo estilo publicitariamente vendido ao mundo pós-guerra junto com a obsolêscencia programada, responsável por aumentar significativamente a bolha de consumo que vivemos hoje.
Mas além da bolha de consumo, o problema maior é que a venda do modo de vida americano durante a Guerra Fria via Hollywood gerou o que hoje de chama de branding, ou em se falando de "macro comunicação" é equivalente a incorporação cultural. Ou seja, nós brasileiros, chineses, indianos( estes já tem até Bollywood), incorporaram a idéia da democracia americana e agora anseiam o mesmo progresso, oriundo do livre mercado e força de trabalho.
Álias, só para fazer um paragráfo parentes e tirar um pouco a culpa dos americanos, este lance de trabalho é da reforma protestante, que por sinal foi iniciada por Martinho Lutero, um alemão século XVI e mais tarde reforçada por John Locke, um inglês do século XVIII e pai do liberalismo, acredito que estes argumentos absolvem os americanos assim como os chineses e indianos são absolvidos :(.
O problema agora é que mesmo absolvendo todo mundo , julgando todos como vitímas da cultura, o nosso problema não está resolvido, e estará menos ainda quando nossos amigos chineses e indianos alcançarem o desenvolvimento que tanto almejam. Acredito que eles não chegam lá, antes morremos. Mas supondo que exista uma solução para este desvio cultural de séculos. Talvez a solução seja ensinar as pessoas a lidarem com a frustração, dizendo a um americano que ele deverá viver como um miserável segundo seu modelo de vida, e a nós, subdesenvolvidos, que o desenvolvimento nunca chegará se quisermos continuar aqui, seremos pra sempre como dizia Belchior, apenas rapazes latinos americanos, sem dinheiro no banco.
E quem disse que isto não pode ser bom?
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10 de fev. de 2010
Logorama concorre ao Oscar.
Por
Murilo
Ganhador do prêmio de melhor curta no festival de Cannes de 2009, Logorama é uma animação francesa com roteiro de filme de ação clássico.

A grande diferença deste para os outros bons concorrentes aos prêmios da categoria é que o cenário urbano e as personagens são formados por mais de 2500 logos de marcas reconhecidas em todo o mundo. O filme, que foi visto tanto como crítica quanto a uma nova forma de se fazer publicidade, agora concorre ao Oscar de melhor curta de animação.
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8 de fev. de 2010
Descartar pilhas, baterias e celulares ficou mais fácil.
Por
Conceição
Segundo informação do jornal O Estado de São Paulo de hoje, agora pilhas, baterias, celulares e carregadores poderão ser descartados em vários locais de São Paulo, criados especialmente para coleta e reciclagem desses materiais.No site www.e-lixo.org, inserindo o CEP e o tipo de "e-lixo" que você precisa descartar, é possível encontrar todos os locais mais próximos de sua casa que recebem e reciclam esse tipo de resíduo. O projeto associa a plataforma do Google Maps com um banco de dados dos postos de coleta de "e-lixo" em São Paulo.
A criação do Projeto "e-lixo maps", uma parceria entre Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Instituto Sérgio Motta, visa a ajudar o cidadão a encontrar o local mais próximo para levar pilhas, celulares e outros.
Avaliação do Publizität: fomos testar o serviço e notamos que, quando vc entra no site pela primeira vez, não abre direto a busca, pois antes é preciso clicar em "home". Daí vai carregar (lentamente) o map de busca onde vc insere o seu CEP e Número do lugar onde vc está (para pular esse passo, inserimos esse link direto aqui no post). Outro problema é que na nossa busca por lugares para descartar pilhas na região das Perdizes, os resultados são longe e não consideram lugares mais próximos que conhecemos por experiência. Ou seja, ainda é preciso ampliar a base de lugares de coleta. Mas isso não diminui a importância da iniciativa.
[Substitua este trecho pelo restante do post]
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2 de fev. de 2010
A alma não...
Por
Vitório Tomaz
Este é um post corajoso ou maluco mas achei que é um relato interessante, não por ser o relato de uma história minha, mas um relato. Acredito que normalmente as pessoas fazem isto quando mais velhas, mas não consegui esperar e sei que isto vai ter uma séria repercussão no meu desenvolvimento profissional, em especial no que diz respeito ao aspecto financeiro, mas...a Alma não.
O que se passa é que há alguns dias atrás fui convidado para trabalhar na segunda maior assessoria de imprensa do país em uma unidade de negócio que trabalha com o monitoramento de redes sociais (não vou citar nomes por razões pessoais, me desculpem). A melhor e mais promissora oportunidade profissional que já tive, se não fosse o fato de que este trabalho estivesse sendo desenvolvido para a detentora de 70% do mercado de cerveja no pais, a mesma que comprou o filme do Lula e que coíbe acionistas menores e donos de bares que ameaçam trabalhar com os produtos da concorrência.
Mas, pressupondo que eu fosse capaz de ignorar estes erros, que fosse capaz trabalhar para uma empresa que incentiva o consumo de álcool, como poderia conviver com verdades como as narradas pelo jornalista Washington Novaes no artigo "Quase duas décadas sem sair do lugar" www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100129/not_imp503411,0.php, onde o mesmo descreve o descaso com o meio ambiente por parte dos governos e conseqüentemente das empresas. Mais do que ignorar, como poderia trabalhar a favor desta destruição?
Quando disse não, disse não as corporações, as empresas, não por que acredite que as empresas não devam existir. Vejo que empresas são responsáveis por gerar a riqueza da sociedade e que desde que adequadas a padrões como o do Triple Botton Line, podem ser muito boas. No entanto a decisão que tomo agora é para um caminho que acredito que precisa de um número maior de pessoas, do contrário tudo pode estar perdido.
Estou indo para a fronteira, onde as coisas são emergenciais, onde precisamos de pessoas assim como os acidentados precisam dos paramédicos. Onde efetivamente serão definidas as diretrizes que deverão regular nossa economia e salvar nossa civilização.
Estou indo para o terceiro setor, para a política de mobilização social e para o boicote quando necessário .
Assino este texto com um codinome que nunca deveria ter deixado de lado:
Boicote
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29 de jan. de 2010
O neomoralismo do mercado (ou) Tiger Woods: nem tão vilão, nem tão herói assim
Por
Conceição
Embora seja muito crítica em relação a algumas opiniões da jornalista Barbara Gancia, o seu texto de hoje na Folha de São Paulo, intitulado "Tiger Woods é um crápula?" contribui para uma discussão necessária acerca do neomoralismo que parece dominar o mercado e a sociedade. Abaixo, a leitura do texto vale até o final, pelo desfecho da decisão do dono da Nike, Phil Knight em relação ao caso Woods.BARBARA GANCIA
Tiger Woods é um crápula?
A nós, que não temos nada a ver com a história, caberia rir do ídolo esportivo que se deixou flagrar como um imbecil
COMO ANDO COM ideia fixa sobre o fenômeno da superexposição, serei forçada a testar sua paciência com minhas reflexões acerca do caso Tiger Woods. (...)
Advertência feita, vamos à vaca fria: Tiger Woods gosta de aproveitar as noites passadas longe de casa saindo com prostitutas. Descobrimos recentemente -com direito a ouvir na internet as gravações deixadas por ele na secretária eletrônica de uma recepcionista de Bel Air- que o melhor golfista do mundo não é aquele sujeito certinho que pensávamos que ele fosse. Não saberia citar estatísticas, mas desconfio que uma parcela significativa dos homens que conheço, ecologistas incluídos, sairia com um sem número de dançarinas se lhes fosse dada a oportunidade.
Já deu para notar que o advento do YouTube e de sites de fuxico tornou a vida dos voyeurs (ou seja, a nossa) muito mais interessante e que é apenas uma questão de tempo antes que todo mundo, do George Clooney ao cardeal arcebispo de Rangun, seja flagrado fazendo alguma coisa errada. Foi a vez do Tiger Woods; e a questão do seu adultério, que deveria ser resolvida entre ele, sua mulher e as agências de publicidade que venderam seu nome como garoto-propaganda, virou munição para a neocarolice da impostura.
A nós, público que não tem nada a ver com a história, caberia rir do fato de que o ídolo esportivo se deixou flagrar como um imbecil. Mas, não. Estes são os tempos da tirania da saúde e da higienização, esta é a época em que bastou chamar preto de negro para acreditar que o preconceito foi varrido do mapa. E assim nós nos achamos no direito de julgar Tiger, esquecendo do corno que metemos na cara-metade naquela festinha da firma ou na vez que ficamos de porre ou fumamos um baseado na frente da prole.
Tiger Woods é um überatleta. E sua habilidade nos campos de golfe pode ajudar a vender espuma de barbear, isotônico e sucrilhos. Mas isso não faz dele automaticamente um "exemplo para a juventude". Quem diz que faz é o mercado, não é mesmo? E você vai se deixar tutelar por esse "bully" dos infernos? Se a perseguição fosse apenas "Schaudenfreude", o ato de derivar prazer do sofrimento alheio, ainda vá lá. Recalque é um sentimento humano dos mais banais. Mas essa crítica que atribui superioridade moral a quem acusa já está começando a passar dos limites.
O presidente e fundador da Nike, Phil Knight, deu uma resposta corajosa à onda de hipocrisia. Ele se recusou a romper contrato com Kobe Bryant, no episódio em que o jogador da NBA foi acusado de estupro e admitiu adultério. Depois, fez vistas grossas quando Ronaldo foi pego com travestis. E, agora, reafirmou a parceria com Tiger. Segundo Knight, Woods sofreu ataques desproporcionais pelo que fez e tem "direito à privacidade". Estou quase jogando todos os meus tênis Puma e Adidas no lixo!
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27 de jan. de 2010
Só porque o filme de Lula é fraco ele pode ser acusado de ser mera propaganda?
Por
Conceição
Muitas críticas consistentes vêm sendo feitas ao filme Lula: o filho do Brasil, muitas delas associando sua iverossimil narrativa a mera propaganda. Mas, de nossa parte, podemos afirmar que mesmo para ser propaganda, o filme teria muito a aprender com exemplos do passado como as campanhas da dupla Alexandr Rodchenko e Vladimir Maiakovski para o regime bolchevique da Rússia e com os filmes de Leni Riefenstahl para o regime Nazista alemão. Se os fins das propagandas realizadas por eles não condizem com os ideais democráticos atuais, como meios de criação estética, foram capazes de inovar e produzir filmes e cartazes memoráveis. Vale a pena ler a seguir a excelente análise de Eliane Brum, da revista Época, para o filme de Lula.Lula, o filho do Barretão
Os homens são bem mais interessantes do que os heróis – ou os santos
ELIANE BRUM
ebrum@edglobo.com.br
Repórter especial de ÉPOCA, integra a equipe da revista desde 2000. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de Jornalismo. É autora de A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo)
“Não quero que publiquem que eu sou santo. Não sou. Estou cansado que me carreguem no colo, que puxem meu saco. Não encontro textos sérios: ou inventam mentiras para me esculhambar, ou exageram em coisas que não existiram para me transformar num super-homem. Não sou nem uma coisa nem outra. Gostaria que você fizesse um texto ‘científico’ sobre mim, contando as coisas como elas são”.
Esta fala é de Luiz Inácio Lula da Silva e foi transcrita na introdução de sua biografia – Lula - o filho do Brasil (Perseu Abramo) –, escrita pela jornalista Denise Paraná. No surrado sofá vermelho do pequeno apartamento de Denise, então uma estudante vivendo com o dinheiro da bolsa de doutorado em História, na Universidade de São Paulo (USP), Lula contou a extraordinária história de sua vida em encontros que totalizaram cerca de cem horas de entrevistas, entre os anos de 1992 e 1994. Ao contá-la, pronunciou umas duas centenas de palavrões que foram limados da edição da Fundação Perseu Abramo, publicada no final de 2002, ano da primeira eleição presidencial vencida por Lula, depois de três derrotas. A primeira publicação da obra é de 1996.
A biografia, elaborada com os critérios da história oral e apresentada na forma de entrevistas com Lula e seus irmãos, é irretocável. Ao contar a história de Lula de 1945 a 1980, do nascimento no sertão pernambucano à liderança das greves no ABC paulista, Denise Paraná compreendeu que a riqueza do homem era sua complexidade. Foi respeitosa com todas as contradições do retirante sertanejo, operário e líder sindical que se tornaria o presidente mais popular da história recente do Brasil. Como o próprio Lula pediu, ao aceitar contar sua vida, o retrato traçado no livro é fascinante, mas decididamente não é nem o de um herói, muito menos de um santo.
Quando li a biografia, para cobrir a campanha de 2002, às vezes ri muito com Lula, às vezes chorei, em outras achei-o mau-caráter, em alguns parágrafos deu até raiva. Ao final da leitura consegui me aproximar das muitas verdades de Lula, um homem complexo e contraditório como são todos os homens. Ou, como diz Denise na primeira frase da introdução da obra: “Este é um livro sobre um homem controvertido”.
Ao assistir a Lula – o filho do Brasil, o filme, fui surpreendida por um outro Lula. Este me deu sono. Baseado na biografia de Denise Paraná, o filme usou fatos relatados no livro, retocou alguns momentos menos edificantes, mas perdeu o melhor da história: a humanidade do personagem. O Lula do filme é plano, unidimensional. Faz tudo certo sem tropeçar em nenhum conflito, nem mesmo um bem pequeno, em sua trajetória linear. Ao final, ficamos pensando (eu, pelo menos) que aquele cara da tela nunca chegaria a presidente da República. Não chegaria nem a liderar uma greve do ABC. O Lula do filme é raso como o açude seco em que o menino Lula bebia água com o gado.
A história de Lula e de sua família é uma grande história. Contém nela um naco da trajetória do Brasil. O pai migrou para São Paulo com a amante menor de idade, deixando no sertão a mãe grávida de Lula e outros seis filhos. Numa visita, ainda fez uma oitava filha antes de levar um dos meninos, Jaime, com ele para Santos. Dona Lindu vende tudo e vai para São Paulo atrás do marido porque este filho engana o pai, analfabeto, e escreve uma carta muito diferente da que ele ditou. Em Santos, ela tem gêmeos e perde os filhos sem nenhuma ajuda. Muito mais tarde, quando Lula está preso, dona Lindu morreria de câncer.
As irmãs de Lula trabalham como domésticas, um irmão tem doença de Chagas, outro é torturado pela ditadura militar. A primeira mulher de Lula morre no sétimo mês de gestação, junto com a criança, possivelmente por negligência médica. Quando é velada, o chão da casa em que viviam cede com o peso do caixão. O filme conta muitas dessas histórias, mas é uma narrativa sem densidade ou nuances. Não parece uma vida, mas fatos encadeados.
O Lula real era um menino tão tímido que não conseguia vender laranjas na infância por falta de coragem de gritar. O do filme é um vendedor com sacadas publicitárias. No filme, o casamento com Maria de Lourdes, a primeira mulher, é um conto de fadas proletário, com direito à perseguição no varal de roupas. Na vida, o casal voltou antes da lua de mel porque Lourdes só chorava. Quando o sogro de Marisa, taxista, conta a ele sobre sua nora, viúva, Lula estava saindo da casa da namorada, Miriam Cordeiro, e pensa: “Qualquer dia vou comer a nora desse velho”. No filme, ele apenas conta ao taxista, com voz embargada, que perdeu a mulher e o filho. E o taxista diz que também perdeu um filho e mostra a foto da viúva, Marisa, e do neto. O viúvo Lula do filme só chora. O da vida chora, mas depois quer “namorar todo dia e, de preferência, com pessoas diferentes”.
Quando Marisa aparece no sindicato dos metalúrgicos para “pegar o carimbo” necessário para liberar o dinheiro da pensão do marido assassinado, Lula não a reconhece da foto mostrada pelo taxista, como é contado no filme. Lula é chamado para atendê-la porque havia deixado ordens de ser avisado quando aparecesse “uma viuvinha nova”, como conta a própria Marisa no livro. Então Lula mente para Marisa que a lei tinha mudado e a obriga a voltar várias vezes ao sindicato. Depois a chantageia para que lhe dê seu telefone.
E assim por diante. Entre um personagem contraditório e outro com comportamento previsível, mas elevado, a escolha foi eliminar as nuances e ficar com um Lula sem ambivalências. Mais do que um herói ou um santo, o Lula do filme é um sujeito insosso.
Por que uma grande história, um grande personagem e um grande orçamento – R$ 16 milhões, um dos mais caros da trajetória do cinema brasileiro – se transformaram em um filme medíocre?
Só tenho hipóteses. O momento escolhido – com o personagem principal na presidência da República e às vésperas de uma eleição presidencial – pode ter feito mal à obra. O momento pode ter beneficiado a captação de recursos, já que dá gosto acompanhar na tela a lista de empresas sensibilizadas para a necessidade de investir no cinema nacional. Mas pode também ter produzido uma série de auto-censuras. Como já foi dito pelos realizadores do filme, havia uma preocupação de não apresentar cenas que pudessem ser consideradas piegas ou excessivamente dramáticas, embora verídicas, como a que o pai de Lula se recusa a lhe dar picolé porque diz que ele não sabe chupar sorvete. A mesma preocupação pode ter ocorrido ao preferir não mostrar um Lula mulherengo e às vezes de caráter duvidoso, um Lula mais malandro que bom moço.
Há no filme alguns momentos heroicos, que nunca ocorreram na vida real, como quando o menino Lula se posta na frente da mãe para impedir que o pai, Aristides, batesse nela, dizendo: “Homem não bate em mulher”. Na vida real, contada pelo próprio Lula, é a mãe que não permite que o pai bata em Lula. Por conta disso, Aristides dá uma mangueirada na cabeça de dona Lindu. Do mesmo modo, há episódios em que a índole do personagem foi aprimorada, como quando Lula passa mal ao assistir ao dono de uma fábrica, que havia atirado em um trabalhador durante uma greve, ser jogado do segundo andar e depois linchado. Na vida real, narrada pelo próprio Lula, ele diz: “Eu achava que o pessoal estava fazendo justiça”.
Quando a biografia foi editada na Coreia do Sul, a tradutora passou alguns apertos. Ela não sabia como traduzir a passagem em que Lula fala sobre um costume dos meninos do sertão do seu tempo: a iniciação sexual com animais. A jovem Sophia Cho, que além de terminar a tradução acertava os últimos preparativos de seu casamento, ficou ruborizada. "Ainda que tenhamos permitido a aparição da primeira cantora transexual na TV, senhorita Ja Ri Su, a Coreia continua muito fechada nesse aspecto", explicou-me, quando a entrevistei. "Como traduzir isso para um país que pratica o confucionismo há 4 mil anos?" Sophia Cho e todos os sul-coreanos poderão assistir ao filme sem sobressaltos. A fita não ruborizaria nem o próprio Confúcio.
Luiz Carlos Barreto, o Barretão, já disse que fez o filme para ganhar dinheiro. Deve ter sido sincero. Mas se o momento histórico é propício para “ganhar dinheiro”, me parece difícil fazer um bom filme sobre um presidente da República que está no poder e iniciará 2010 como um recordista de popularidade. Será que existiriam empresários tão interessados em investir na cultura nacional se o filme mostrasse o jovem Lula anunciando que queria “comer” a futura primeira-dama do Brasil? O fato é que mesmo cineastas brilhantes poderiam derrapar na empreitada. E a cinebiografia do diretor, Fábio Barreto, infelizmente não o inclui nesta lista.
Já me foi dito também que a ideia não era fazer um filme para intelectuais e para críticos gostarem, mas para o povão. Bem, acho que o povo merece um filme bom. E filme bom necessariamente não implica inovações de linguagem ou voos intimistas. Só é preciso contar bem uma história. E nenhuma história é bem contada se o personagem principal não vive um único conflito em sua vida, se é contado apenas pelo que o enaltece, se é, portanto, inverossímil. É curiosa essa ideia de “filme para o povão”. Já a escutei como explicação para tudo – de programas de TV de baixo nível a filmes ruins. Subestimar a inteligência e a sensibilidade do povo brasileiro me parece não só falta de respeito, mas arrogância.
Compreendo, é claro, que o filme é “bom” para muita gente, em vários aspectos que nada têm a ver com cinema. Nesse sentido, o que vai acontecer a partir do lançamento poderá render um outro filme no futuro. Nunca antes na história deste país um presidente teve a chance de poder assistir a um filme sobre sua vida refestelado na poltrona do cinema do palácio do Alvorada. Na condição de observadores da história em movimento, vale a pena acompanharmos de perto o efeito dessa monumental obra de propaganda e construção de imagem. É, sem dúvida, um capítulo novo.
Como brasileira que gosta de cinema e de boas histórias, ao contrário de alguns críticos, eu gostaria de assistir a um filme sobre a vida do Lula. Não agora, mas num momento em que Lula não estivesse tentando fazer seu sucessor na presidência. Um bom filme, que não fizesse dele nem um super-homem nem um santo nem um cara sem sal. Espero que algum cineasta de talento encare essa empreitada daqui uns anos.
Ao transformar Lula nesse cara que não faz nada errado, sequestra-se da história de todos nós um patrimônio fundamental da eleição de Lula para presidente do Brasil: a identificação que a maioria dos brasileiros pobres tem com a trajetória de Lula. Todos nós, mortais, erramos, temos conflitos, somos contraditórios, falamos besteira, derrapamos em covardias, nos arrependemos de muita ou pouca coisa. A identificação de um número significativo de brasileiros com Lula, em parte, se dá por essa certeza de que Lula poderia estar sentado na mesa de bar com cada um, tomando uma, falando de futebol ou de mulher ou jogando truco. Mas também pela possibilidade que ele representa na vida de cada um de superar a pobreza em um país tão desigual e se transformar em presidente com tudo o que é. Quando Lula se transforma em um predestinado, caso do personagem do filme, esse rico patrimônio simbólico se perde.
Prefiro o Lula que disse à Denise Paraná, que acabou assinando o filme como co-roteirista, quando ela pergunta a ele se acredita ter algum tipo de “inteligência especial”: “Eu não me considero burro, tenho clareza de que não sou burro. Agora, que eu não tenho nada de especial, isso eu não tenho. Não tenho, não tenho nenhuma inteligência especial. Eu apenas sei utilizar a minha”.
O maior defeito do filme com estreia prevista para 1º de janeiro, me parece, é não estar à altura da história. Nem à altura do homem. Lula, o filho de dona Lindu, é bem mais fascinante do que Lula, o filho do Barretão.
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Me pergunto se hoje Lula repetiria o pedido feito à sua biógrafa, de contar uma história real, que não lhe puxasse o saco nem lhe sacaneasse, que não o transformasse em santo ou super-herói. Ousaria arriscar que não. Minha hipótese, infelizmente, é de que depois de sete anos no poder, Lula passou a acreditar que é um pouco dos dois, santo e super-herói. E gosta mais do que seria prudente que todos lhe puxem o saco.
Como todo mundo, eu gosto de estar certa. Mas, seria bem melhor para mim e para todos os brasileiros, especialmente para Lula, que eu esteja errada.
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