Hoje, dia em que seria votada a alteração do Código Florestal, um de nossos palestrantes, Zé Claudio Ribeiro, foi assassinado junto com sua esposa, Maria do Espirito Santo, quando voltava para casa, no Assentamento Agroextrativista Praia Alta Piranheira, em Nova Ipixuna, no sul do Pará.
José Claudio Ribeiro era castanheiro e vivia da extração de castanhas e outras frutas na floresta. O lugar onde morava é protegido por lei e o corte de árvores, ilegal. Assim, Zé Claudio negava-se a negociar as árvores com os madereiros da região. A pressão era grande: muita gente já tinha abandonado o assentamento e vendido, ilegalmente, as terras. Zé Claudio denunciava os crimes e, por isso, as ameaças eram constantes. Sua palestra no TEDxAmazônia conta exatamente essa história. Num trecho, ele diz: “A mesma coisa que fizeram no Acre com Chico Mendes, querem fazer comigo”. E fizeram. Vale rever a palestra:
Nós conhecemos o Zé Claudio graças ao Felipe Milanez, que nos apresentou sua história emocionante, seu amor à vida dos homens e da floresta. Hoje, é o Felipe que emocionado nos traz mais notícias tristes. A Comissão Pastoral da Terra esteve no local do assassinato - uma ponte a 8 km da casa de José e Maria. Às sete e meia da manhã sairam para a cidade, provavelmente para denunciar as ameaças. Ali, foram emboscados, por dois homens, que utilizaram armamento pesado (revólver calibre 38 e pistola 380). O casal foi alvejado e os assassinos ainda cortaram uma orelha de cada para comprovar o crime. Eles caíram ao lado de uma grande árvore.
A polícia chegou por volta do meio dia, despreparada para proteger o local do crime para a perícia, segundo a Comissão Pastoral da Terra. Zé Claudio e Maria do Espírito Santo estavam com medo e iriam denunciar as ameaças. Agora, essa é a nossa missão: não permitir que o crime caia na impunidade. Pedimos que comunidade TED se mobilize para que esta notícia seja espalhada.
Por Lívia Ascava, Barbara Soalheiro e Felipe Milanez
A Record em parceria com a Endemol está produzindo um reality show ecológico intitulado “Amazônia”.
Um acampamento será montado na floresta Amazônica onde 12 participantes de diferentes áreas, entre elas artistas plásticos, publicitários, celebridades, empresários, ficarão responsáveis pela realização de provas com objetivos de promover a sustentabilidade na região. Para que isso ocorra, “Amazônia” tem o apoio do governo local e da ONG Fundação AmazonasSustentável, financiada em grande parte pelo Bradesco, que ficará responsável pela concepção das provas.
A estrutura do acampamento será permanente, pois a Record visa outras edições e até uma “carreira” internacional. As gravações começarão nos segundo semestre de 2011 e estão previstas para durar um mês, o programa em si terá a duração de três meses e o ganhador levará para casa R$ 1 milhão de reais.
Uma iniciativa interessante e inovadora, pois será o primeiro reality show com temática ecológica, mas, por outro lado, qual será o real impacto desse reality show? Durante um mês uma equipe de televisão construirá um acampamento e ficará dentro da floresta Amazônica filmando ininterruptamente, mas será que somente na região Amazônica cabem ações sustentáveis? Será que essa proposta não poderia ser aproveitada em outros lugares do Brasil, não tão óbvios?
Mais um evento sobre a Amazônia. Mas este está com uma programação bem interessante e vale a inscrição de quem se interessa pelo tema. Espera-se que o jornalista Lúcio Flávio consiga vir, apesar da perseguição judicial que sofre.
Programa 16 de novembro 09:00 – 10:00 Abertura (Autoridades) e Conferência Inaugural (Bertha Becker) 10:00 – 13:00 Mesa 1: Diversidade Sócio-cultural e Integração Sul-americana Coordenação: Maria Manuela Carneiro da Cunha (Univ. Chicago) / Francisco Pyianko • Adalberto Veríssimo (Imazon) • Adriana Ramos (Instituto Socioambiental); • Ana Valéria Araújo (Fundo Brasil de Direitos Humanos) • Elaine Elisabetsky (UFRGS) • Margarita Benavides (Instituto del Bien Común - Peru);
13:00 – 15:00 Almoço 15:00–18:00 Mesa2:Amazônia: Desafio Científico e Tecnológico para o Século XXI Coordenação: Adalberto Val (INPA) / Carlos Nobre (INPE) • Guilherme Leal (Natura) • Jorge Almeida Guimarães (CAPES) • Luciano Coutinho (BNDES) • Luz Marina Mantilla (Instituto Amazônico de Investigaciones Científicas - Colômbia) • Sergio Machado Rezende (Ministério da Ciência e Tecnologia)
17 de novembro 9:00 – 12:00 Mesa 3: Ciência, Tecnologia e Inovação como Motores de um Novo Modelo de Desenvolvimento para a Amazônia Coordenação: Roberto Dall’Agnol (UFPA) / Ima Vieira (Goeldi) • Fabio Scarano (UFRJ) • Lúcio Flávio Pinto (Jornal Pessoal) • Maurílio Monteiro (Secretaria de Desenvolvimento Ciência e Tecnologia do Pará) • Roberto Waack (AMATA S.A.) 12:00 – 14:00 Almoço 14:00 – 17:00
Mesa 4: Arranjos Multilaterais e Dimensões Estratégicas da Integração Sul-Americana Coordenação: Bertha Becker (UFRJ) / Tatiana Sá (Embrapa) • Lia Osório Machado (UFRJ) • Manuel Picasso (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica) • Mauro Marcondes Rodrigues (Banco Interamericano de Desenvolvimento) • Wanderley Messias da Costa (USP)
Reproduzo agora o e-mail da professora Conceição com uma proposta de ação direta em apoio ao jornalista.
Peço, que todos que tiverem blogs, ou que puderem espalhar este abaixo assinado de alguma forma pela web o façam, não podemos permitir que orgãos de imprensa legitimos sejam exterminados por conglomerados da alienação. Segue o e-mail:
Caros todos,
Estou enviando uma nota de desagravo e solidariedade a uma das vozes mais lúcidas da Amazônia, o jornalista Lucio Flavio Pinto. É por acreditar que apenas uma esfera pública realmente democrática pode mudar o triste destino a que a Amazônia parece condenada, sempre a mercê dos interesses de poderosos pouco ou nada comprometidos com a região, é que envio este email.
Leiam e, se concordarem, peço que atuem das seguintes formas:
No dia 22/7, próxima quarta, enviar quantas msgs puder para o presidente do TJ-PA, o desembargador Rômulo José Ferreira Nunes: des.romulo.nunes@tj.pa.gov.br e do fale conosco do Portal Maiorana (http://www.orm.com.br/) com mensagens de protesto.
Obrigada, forte abraço, Conceição
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ABAIXO-ASSINADO EM APOIO AO JORNALISTA PARAENSE LÚCIO FLÁVIO PINTO
OBJETO O repórter e editor do Jornal Pessoal, de Belém do Pará, Lúcio Flávio Pinto, foi condenado pelo juiz Raimundo das Chagas Filho, da 4ª Vara Cível da capital, a pagar uma indenização de R$ 30 mil aos irmãos Romulo Maiorana Júnior e Ronaldo Maiorana, proprietários das Organizações Romulo Maiorana, uma das empresas de comunicação mais influentes da Região Norte, cuja emisssora de TV é afiliada à Rede Globo. A sentença, expedida no último dia 6 de junho de 2009, refere-se a uma das quatro ações indenizatórias movidas pelos irmãos contra o jornalista que, em 2005, publicou artigo em um livro organizado pelo jornalista italiano Maurizio Chierici, depois reproduzido no Jornal Pessoal, no qual abordava as atividades de contrabandista do fundador das ORM, Romulo Maiorana, nos anos de 1950, o qu e teria motivado a ação, pois os irmãos consideraram ofensivo o tratamento dispensado à memória do pai. Além da indenização por supostos danos morais, o juiz ainda obriga o jornalista a não mais referir-se aos irmãos em seus próximos artigos.
Lúcio Flávio Pinto, de 59 anos, em quatro décadas de jornalismo é um dos profissionais mais respeitados no Brasil e no exterior. Seu Jornal Pessoal resiste, de forma alternativa, há 22 anos, sem aceitar patrocínio ou anúncios, garantindo a independência de seu editor frente aos temas públicos do Pará, sobretudo na seara política. Por sua atuação intransigente frente aos desmandos políticos, às injustiças sociais e ao desrespeito aos direitos humanos, recebeu prêmios internacionais importantes: em 1997, em Roma, o prêmio Colombe d’oro per La Pace; e em 2005, em Nova Iorque, o prêmio anual do CPJ (Comittee for Jornalists Protection). Além disso, é premiado com vários Esso. É também autor de 14 livros, tendo como tema central a Amazônia, sendo os mais recentes “Contra o Poder”, “Memória do Cotidiano” e “Amazônia Sangrada (de FHC a Lula)”. Esse fato demonstra o que significa fazer jornalismo de verdade na capital do Pará: uma condenação.
Por isso, nós, abaixo-assinados, solidarizamo-nos com Lúcio Flávio Pinto, pedindo a revisão de sua condenação em nome da democracia e da liberdade de pensamento.
Na noite de quarta-feira, o Senado votou a Medida Provisória 458, aprovando-a tal e qual veio da Câmara. Por detrás desse número, o Congresso Brasileiro, com o apoio explícito do governo, legalizou a grilagem, privatizando de uma só vez 67 milhões de hectares de terras públicas. Na longa sessão do Senado em que foi votada a MP, se degladiaram dois Brasis. O da Senadora Katia Abreu, relatora da medida e presidente da Confederação nacional de Agricultura, e o da Senadora Marina Silva.
Katia Abreu, num discurso que precisa ser visto, lido e deglutido, defendeu sem a menor vergonha a legalização das invasões de terras públicas. Disse que o que acontece hoje na Amazônia foi o que aconteceu em São Paulo séculos atrás. Em São Paulo era tudo terra pública, que foi domada, ocupada, titulada. Porque na Amazônia não pode ocorrer o mesmo, perguntou. Marina falou do Brasil que não pode se repetir, do Brasil que precisa se reinventar, que não pode escorar seu processo de desenvolvimento nos erros do pasado. Ela apelou aos senadores que a ajudassem a rejeitar a MP, para que não tivesse que puxar o movimento pelo seu veto, constrangendo publicamente o Presidente Lula. Em jogo, estavam extensões de terra equivalentes a 30 vezes o tamanho de Sergipe.
E aí? E aí a impressão que se tem é que ninguém, a não ser uns poucos, como Marina, ainda parecem se importar com a sorte do meio ambiente no Brasil. Os sinais da degradação estão por toda a parte. A aprovação da MP foi apenas mais um dos golpes que vem sendo desfechados nos últimos anos contra os recursos naturais do país. Às vezes eles se traduzem em ações como o desmatamento da Amazônia, a retomada do programa nuclear e a construção da Usina de Angra III e a decisão do governo de recriar o Ministério da Pesca, cujo único objetivo parece ser o de aumentar a produção pesqueira, mesmo diante das indicações que nossos mares há muito não estão mais para peixes.
Outras vêzes, os golpes se traduzem pela parálise do governo. Como no caso de eventos climáticos extremos. Sua incidência tem crescido no Brasil, como mostram as enchentes em Santa Catarina e no Nordeste, e a seca que assolou recentemente o Rio Grande do Sul. Brasília, no entanto, segue como se tudo isso fosse apenas problemas que precisam ser combatidos com a defesa civil. Ao contrário dos governos de outros países, o nosso hesita em acordar para a crise do clima e se comprometer a acabar com o desmatamento, ou a criação de áreas marinhas protegidas, para reduzir as emissões de CO2 e, ao mesmo tempo, mitigar seus efeitos.
É aflitivo ver que a sociedade parece anestesiada diante dessa situação. A sensação é que não há quem se incomode mais com a devastação e a degradação e o fato de que o Brasil, um país que um dia foi lindo e rico em recursos naturais, está embicando para se transformar num país exaurido e feio. O Greenpeace, no entanto, se recusa a capitular. E acredita que há muita gente que não quer fugir dessa luta. Precisamos mostrar a nossa cara e reagir, protestando junto ao governo e aos formadores de opinião através da internet mas, sobretudo, nas ruas.
Marcelo Furtado Greenpeace Brasil Diretor Executivo mfurtado@greenpeace.org +551130351165
Pele verde é o título da campanha multimídia mais recente do Bradesco para reforço do seu posicionamento como Banco do Planeta. Ao criar a Fundação Amazonas Sustentável, em parceria com o governo do Amazonas, esta organização tem objetivos e formas de gestão próximas a lógica empresarial. Há verba, há resultados e há marketing, e esse pode ser o problema dessa iniciativa: é como se todas as ações e resultados já fossem pensados para se tornarem imagem, para serem mediatizados.
A começar pela escolha do titulo: Pele Verde. Como assim nomear de Pele Verde as pessoas que habitam a floresta (caboclos, ribeirinhos e os ditos "povos florestais")? O apelo óbvio à cultura yankee hollywoodiana que, de forma derrisória, sempre chamava os cherokees de Pele Vermelha é óbvia e questionável.
A campanha foi lançada no mês de abril/09 por meio de um banner nos principais portais (UOL, IG) que levava ao trailer que se inicia com o seguinte lettering: "Muito longe da nossa civilização"..."Nas profundezas da floresta" e segue num ritmo de edição ao estilo do cinemão de aventura (Apocaliptico?), ágil, rápido, de entretenimento puro.
A pergunta que faço é: como assim, cara pálida? Mesmo que a inicativa de fazer os próprios "Pele Verde" mostrarem a luta deles pela preservação da floresta (ironicamente a produção foi financiada pela Lei Rouanet), de dar os canais e os meios de expressão a eles, questiono essa visão ainda colonizadora e distante do Bradesco e da Neogama em relação a cultura amazônica. A Amazônia não precisa ser salva, precisa ser compreendida.
Publizität é um grupo de pesquisa em comunicação persuasiva, cujo objetivo é ser um espaço de estudo, debate, reflexão e produção de conhecimento acerca dos fenômenos da comunicação, que tematizam direta ou indiretamente questões sociais, políticas e ambientais.
Seja a comunicação formal produzida por empresas, terceiro setor, organizações públicas e sociedade civil, seja a comunicação espontânea e informal produzida por pessoas interessadas no assunto e veiculada nos espaços midiáticos reais e virtuais.
Propõe-se, prioritariamente, o envolvimento do corpo discente dos cursos de Publicidade, Jornalismo, Multimeios, Artes, Filosofia e Letras com o grupo, de modo a aliar a discussão conceitual à proposição de ações concretas (parcerias, intervenções, promoção de seminários, publicações etc.).