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9 de ago. de 2011
Conar estabelece normas para sustentabilidade na propaganda
Por
Conceição
Do site do instituto Ethos.
A partir de 1º. de agosto, qualquer propaganda veiculada no Brasil não deverá mais enaltecer possíveis atributos sustentáveis de produtos e serviços se as empresas não puderem comprovar sua eficiência. Normas relativas à questão foram estabelecidas no início de junho pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) e visam coibir a banalização da propaganda sobre o tema, fato que, segundo a entidade, não informa e ainda confunde o consumidor sobre um conceito fundamental para o modelo de civilização que precisa ser construído.
Trata-se de normas às quais as empresas aderem voluntariamente e que, a partir dos casos exemplares, podem se desdobrar em políticas públicas de comunicação sobre sustentabilidade, entre outras.
O Conar foi constituído em 1978, como decorrência da mobilização dos publicitários para estabelecer o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, que nasceu de uma ameaça ao setor de publicidade e propaganda do país. No final dos anos 70, o governo federal (ainda militar) pensava em sancionar uma lei criando uma espécie de censura prévia à propaganda segundo a qual nenhuma peça publicitária poderia ser distribuída ou veiculada sem um carimbo dado por um departamento que seria criado especificamente para analisar o setor. Além da burocracia fenomenal para liberar um outdoor ou um spot de rádio, essa lei representaria um retrocesso político numa sociedade que, a duras penas, mas vigorosamente, caminhava para a redemocratização.
Contra essa ameaça, os maiores nomes da publicidade do país, Mauro Salles, Caio Domingues, Petrônio Correa, Luiz Fernando Furquim e Dionísio Poli participaram da redação do documento, cada um representando um setor: agências, anunciantes e veículos de comunicação.
Concluído o código, era preciso buscar adesão. Parecia missão impossível. Afinal, por que empresas, agências e veículos de comunicação iriam voluntariamente subordinar seus interesses a um código que, de alguma forma, imporia restrições à atividade? Mas q que ocorreu foi justamente o contrário: houve uma verdadeira avalanche de adesões aos interesses comerciais e criativos do código e, desde então, esse número só tem crescido.
O Conar surge logo depois, com o objetivo de ser um guardião desse código e impedir que a publicidade enganosa ou abusiva cause constrangimento ao consumidor ou a empresas.
As reclamações ou denúncias podem ser feitas diretamente no site do Conar (http://www.conar.org.br/) por pessoas físicas ou por empresas. Um conselho de ética avalia o caso e dá o parecer, que é acatado pelas partes interessadas
A sustentabilidade
No final do ano passado, os institutos Ethos e Akatu lançaram a pesquisa “O Consumidor Brasileiro e a Sustentabilidade: Atitudes e Comportamentos frente o Consumo Consciente, Percepções e Expectativas sobre a RSE”, que, entre outras conclusões, mostrou o seguinte:
- 84% dos brasileiros não ouviram falar, não entendem ou definem errado o conceito de sustentabilidade;
- 16% têm algum conhecimento ou acertaram a definição do tema.
No entanto:
- entre dois produtos com preços e qualidade semelhantes, 71% dos consumidores brasileiros levariam para casa aquele que possuísse agregado à marca alguma causa social. A média mundial é de 43%.
Ao mesmo tempo, várias campanhas publicitárias já trouxeram os benefícios da responsabilidade socioambiental agregados aos produtos e serviços anunciados. Como saber se são verdadeiros ou não, do ponto de vista da propaganda? Vale citar como exemplo:
- anúncios de empreendimentos imobiliários que enaltecem a “preservação ambiental” do local – tipo “more numa floresta”;
- produtos que destacam informações ou certificações que não podem ser comprovadas, como “açúcar zero”, “0% gordura”, “ sem gordura trans”;
- embalagens que usam termos muito técnicos para tratar do tema;
- apelos antiéticos; etc.
Para tentar diminuir a distância entre o discurso e a ação da empresa, o Conar definiu algumas normas para propagandas que queiram tratar do tema da sustentabilidade. São elas:
- Concretude – A publicidade de condutas sustentáveis e ambientais deve ser antecedida pela efetiva adoção ou formalização de tal postura por parte da empresa ou instituição. Caso apregoe ação futura, é indispensável informar essa condição.
- Veracidade – As informações veiculadas devem ser passíveis de verificação e de comprovação, via site, SAC e outros meios e materiais.
- Exatidão e clareza – As informações devem ser precisas e expressas em linguagem compreensível, não ensejando interpretações equivocadas ou falsas conclusões.
- Comprovação e fontes – Os responsáveis pelo anúncio deverão dispor de dados comprobatórios e de fontes externas que endossem e se responsabilizem pelas informações comunicadas.
- Pertinência – As informações socioambientais divulgadas precisam ter nexo com a área de atuação da empresa. Não é considerado pertinente apelo que divulgue como benefício o mero cumprimento de disposições legais que o anunciante tem obrigação de cumprir.
- Relevância – Os benefícios comunicados devem ser significativos em relação ao impacto global que as empresas (produtos, serviços, marcas) têm sobre a sociedade e o meio ambiente – abrangendo todo o processo e ciclo, da produção e comercialização ao descarte.
- Absoluto – A publicidade não comunicará promessas, vantagens absolutas ou de superioridade imbatível, nem de evidência suficiente de sustentabilidade, pois não existem compensações plenas que anulem os impactos socioambientais produzidos pelas empresas.
- Marketing relacionado a causas – A publicidade explicitará as causas e entidades oficiais e ONGs envolvidas na parceria com as empresas.
As empresas que descumprirem as normas ficam sujeitas a sanções que variam de advertência à suspensão da campanha e divulgação pública do descumprimento da legislação.
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27 de mar. de 2011
AME - Associação das Mulheres Evoluídas?
Por
Vitório Tomaz
Certamente existe uma quantidade significativa de colegas de profissão que farão a leitura desta crítica e vão ver como mais uma critica chata, de alguém que não sabe fazer a leitura de peças de humor como elas devem ser encaradas. Mas acredito que antes de observar esta campanha como uma peça de humor, precisamos olhar para a Bombril como uma marca com longo relacionamento com o consumidor, que antes mesmo de ser capaz de criar peças de humor, trata-se de uma marca capaz de influenciar culturalmente, em especial pela credibilidade alcançada ao longo dos anos. Portanto, não seria sensato eximir a Bombril desta responsabilidade e analisar a sua peça apenas como mais uma peça engraçadinha para chamar a atenção do consumidor. Para entender melhor contexto em que surge esta crítica, sugiro o acesso ao site da campanha: www.mulheresevoluidas.com.br e que assista ao vídeo:
Caso queira ver os outros vídeos da campanha acesse o canal no You Tube: www.youtube.com/user/MulheresEvoluidas
A questão é que a campanha, surge na contramão do que tem sido feito para a construção de um mundo mais igual, onde seremos capazes de respeitar e valorizar as diferenças como algo essencial para a sobrevivência. Evoluir em sentido de valorizar as diferenças me parece um pouco diferente da idéia de vencer os homens e fazer com que eles sejam tão eficazes quanto os produtos da Bombril.
A relação que costumo fazer é a de que feminino está para masculino, fêmea está para macho e machismo está para femismo. E que esta é uma campanha femista.
Não é que as moças tenham ficado feias com os ternos, mas talvez ela não precisem se vestir como quem está indo para a selva para serem respeitadas. O tom mais ácido da campanha está na "brincadeira" on-line, onde a usuária insere a sua foto e a foto do "seu" parceiro, e passa a ser a dona da situação, vejam aqui: www.mulheresevoluidas.com.br/comodeveria. Apesar do bom humorado, será mesmo que não existia nenhuma outra maneira que de propor a campanha que não seja contraproducente?
Bola fora de novo pra marca, que por sinal teve uma campanha com informações enganosas quanto a sua preocupação com o meio ambiente (publizitat.blogspot.com/2011/03/bombril-as-esponjas-biodesagradaveis.html) retiradas do ar pelo CONAR no mês passado.
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17 de set. de 2009
O Conar mandou Colgate mudar embalagem e retirar a propaganda
Por
Conceição

O Conar mandou a Colgate mudar a embalagem do creme dental Colgate Total 12 e tirar de circulaçao os anúncios em TV, internet e folhetos. A Procter & Gamble, fabricante da Oral-B, questionou o slogan de que o concorrente "previne contra 12 problemas bucais e protege por 12 horas". Apresentou estudos afirmando que o efeito, para algumas dessas doenças, nao dura o tempo alardeado. A Colgate diz que suas informaçoes são "uma adaptaçao para melhor entendimento do consumidor" e que a eficácia de seu produto é "comprovada por 65 estudos publicados".
Na lógica da retórica racional, a justificativa ou reason why precisa ter algum tipo de comprovação, de vantagem real. Se a Colgate não informa quem escreveu os tais "estudos", que garanta procedência da informação, seu argumento quantitativo "65 estudos" se torna vazio.
E outra notícia da mesma fonte, no caso, a coluna da Monica Bergamo do jornal Folha de SP, informa que os profissionais da DM9 que criaram o polêmico anúncio com referências ao 11 de setembro, em que dezenas de aviões sobrevoavam Nova York como se a cidade fosse sofrer um novo ataque, já não despacham mais na agência.
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