17 de mai de 2011

Estação Gente Diferenciada


No último sábado, dia 14/05/2011, em resposta a uma declaração feita por uma moradora do bairro, foi realizado um churras em frente ao Shopping Higienópolis. Tudo começou a partir da mudança do local onde seria instalada a estação de metrô onde passaria a futura linha 6 - Laranja. A alteração foi divulgada após a entrega de um abaixo-assinado realizado por uma associação de moradores do bairro com, aproximadamente, 3.500 assinaturas contrárias a instalação da estação no local.


O estopim foi quando uma moradora, em entrevista para um jornal, justificou sua posição dizendo que a estação atrairia camelôs, mendigos, drogados, em suas palavras "uma gente diferenciada" para o bairro. Foi quando Danilo Saraiva convidou a galera via Facebook, para que comparecessem ao evento. Resultado: mais de 56 mil pessoas confirmaram presença e mais de 7 mil diziam que talvez compareceriam, contudo, segundo a policia militar, aproximadamente 600 pessoas apareceram no local. Números a parte, o fato é que, ainda que em outro ponto do bairro, teremos metrô em Higienópolis. As mídias sociais provaram seu poder de mobilização, desta vez, beneficiando milhares de paulistanos "diferenciados".
Muitos jovens compartilharam, cada um com o seu modo de pensar, uma manifestação que escancara uma verdade. Há preconceito contra pobres. A guerra entre classes existe e está presente o tempo todo. Também há preconceito contra ricos, basta ouvir discursos como os relatados na matéria da carta capital.(http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/sofativistas-1-a-0) Pois bem, um bom pensar independe da condição social, basta ter noção de equilíbrio e capacidade de se enxergar no próximo, mesmo que este próximo não seja, ou esteja, tão próximo assim de sua realidade.
Quanto a ser um evento realizado por jovens de classe média, isso pouco importa. Foi feito por jovens que, por natureza, manifestam-se contra o que pensam ser injusto e dizem isso via rede social e, pasmem, saem do conforto de seus lares em dia frio para dizerem que não concordam com o pensamento de (não poucas) pessoas mesquinhas, burras e indignas de serem chamadas seres humanos, não importando se residentes de Higienópolis ou Capão Redondo.
Ilusão pensar que todos que ali estavam, sabiam porque protestavam. Mas, oras, isso importa tanto quanto o lugar que será o metrô... nada!

Mais vale o movimento contra o preconceito e o abismo social que há nessa cidade.

Há tempos não me orgulhava de ser paulistano.
Que bom poder afirmar isso hj.

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