22 de fev de 2011

Dolly e a falsa responsabilidade social

Este post é de autoria de Raphael Souza.

Todos nós sabemos da falta de qualidade dos comerciais da Dolly (fabricante nacional de refrigerantes). Porém, vendo o comercial que segue, percebi que a qualidade pode ser bem pior.

Durante o vídeo, um grupo de crianças bebe uma versão mini do refrigerante enquanto uma voz infantil incentiva: Beba muito líquido. Ora, se uma criança for exposta a tal comunicação, naturalmente, poderá pensar que beber os refrigerantes Dolly faz bem à saúde, e sabemos que a última coisa que os refrigerantes fazem é bem à saúde. Tá certo que o comercial busca incentivar comportamentos saudáveis, como a prática de exercícios físicos, o uso de protetor solar, o depósito de lixo nos locais corretos etc. Todavia, tais ações são mostradas no comercial sempre regadas com rios de Dolly.

Bom, gostaria de saber a opinião de vocês. Embora já imagine qual seja...

16 comentários:

Pati Perressim disse...

Definitivamente é o comercial mais tosco de todos os tempos, o repertório da Dolly em relação a suas divulgações de produtos já não são das melhores mais essa foi a gota d'gua. como o Raphael falou, a linguagem usada dá a entender que Dolly faz bem a saúde, um absurdo! Pra mim eles usam desses jingles, como uma forma de entrar na mente das pessoas, ou ser lembrada como uma propaganda chata, mas inesquecível.

Luiz Fernando disse...

Puts, mandou muito bem rapha, ainda não havia pensado com este olhar tão crítico para esta companha, as recomendações no quesito poluição de fato são maravilhosas, mas se idrate bebendo dolly não é a melhor forma de comunicar métodos de boa saúde.
fora q eu ainda qro descubrir o motivo dos comercias dolly serem tão...estranhos, para não falar outra coisa...

Reginaldo Nepomuceno disse...

Aliás, fica a dúvida sempre que acaba um destes vídeos: "Por que não fazem comerciais melhores, tanto em técnica como conteúdo?" Falta de verba? Estratégia da empresa?

Rafael Figueiredo disse...

Reginaldo, se descobrir as respostas para essas pergutnas, me fale. hahhahhahahha

Raphael Souza disse...

Tudo bem que os comerciais da Dolly são de baixa qualidade, mas ser irresponsável ao ponto de aprovar um comercial desses não beira, já é um absurdo.
Bom, acredito que a retirada desse tipo de comercial, que já está no ar faz um bom tempo, caiba às entidades de defesa do consumidor como o Procon e, também, ao CONAR que, tão prestativamente, tratou de retirar os comerciais da ceveja Devassa.
Acho que não estou enganado.

Murilo disse...

hehehe, eu dou risada de imaginar o dono da empresa.

Reginaldo Nepomuceno disse...

Nem perca seu tempo, Murilo. O presidente da Dolly já apareceu em alguns comerciais, tomando guaraná com cara de quem não sabe o que se trata. Quem lembra?

Sr. Marcão disse...

Cara, sem qualquer falso pudor ou moralismo, é refrigerante para pobre, pobre gosta, esse é o foco! Não precisa ser melhor, do jeito que é dá resultado, se fosse melhor talvez não funcionaria. Pode criticar a vontade, mas que tem um puta mercado, ah isso tem! Repare nas empresas que colocam comerciais na tv focando o mesmo target. É assim que funciona e o moti da responsabilidade social sofista vai colar fácil!

Raphael Souza disse...

Marcão, dá uma lida no meu comentário logo aqui em cima que você vai descobrir que o foco do Post não é especificamente a falta de qualidade dos comerciais, e sim a irresponsabilidade em transmitir um comercial dirigido para o público infantil dando a entender que o consumo de refrigerantes, especificamente os da Dolly, faz bem à saúde.
Citei a baixa qualidade dos comerciais em geral, mas foi somente uma citação.
O foco do Blog é a análise de comunicações do ponto de vista social, ambiental e político.
Mas muito obrigado pelo comentário.
A opinião de todos é muito importante, já que o Publizität é um espaço aberto para debates.

тнαissα sá frєirє disse...

Desculpem-me mas para mim, nem há o que discutir. Independente qual seja o target, uma empresa que se diz séria, perde toda sua credibilidade mostrando seus produtos - e consequentemente a si mesma - em comerciais de baixa qualidadde.
Sem contar que a apologia ao consumo excessivo é ultrajante.
Aonde já se viu, dizer às crianças que refrigerante é saudável?!


Agora, outra questão que pude perceber, é que infelizemente existem pessoas preconceituosas que ainda acham que para 'pobre' qualquer coisa vale.
Não.
Pobre, é antes de tudo, ser humano, independente de seu estatus social, precisa ser tratado com igualdade.

Mandou bem Maestro!

Marina disse...

Sem querer ser injusta ou defender o lado da Dolly, mas não acho que seria possivel a retirada do comercial do ar. Já que em momento nenhum aparece expecificamente que o que as crianças tomam durante a fala: "bebam bastante liquidos" é o refrigerante em questão, eles podem muito bem alegar que existem muitas garrafas de água que são verdes e que não fizeram apologia à nada. Acontece que as pessoas com um maior senso critico percebem a possibilidade da existencia de uma mensagem implicita. E a Dolly pode alegar também que apenas queria mostrar que se preocupa com o meio ambiente e com o bem estar dos consumidores (já que deve ser uma espécie de lei propagandas de refrigerantes mandarem mensagens do tipo: "Pratique exercicios regularmente"). A Dolly quis apenas inovar, ou "causar" fazendo esse comercial, quanto mais "bafafa" sobre ela, mais divulgação ela tem e consequentemente mais consumo!

Murilo disse...

Bem, todos aqui concordam que a Dolly fracassou ao tentar se mostrar uma marca preocupada com questões sócio-ambientais, certo? Não acho que essa tentativa seja algo ruim, muitas empresas fazem pior, conseguem passar a imagem de que se preocupam, quando não é verdade. A Dolly, pelo menos, não conseguiu.

De forma literal, a Marina está certa. Em momento algum o filme diz "Hidrate-se bebendo mais Dolly.". Só que o filme mostra crianças, e ai a questão é mais complicada. Com crianças não precisa de fato dizer, ser literal, basta parecer que disse.

Sobre o público-alvo do produto, sim, é um produto destinado a classes mais baixas. E eu concordo que há formas diferentes de comunicar para uma classe ou outra. Mas essa diferença não pode ser de qualidade, seja de mensagem ou produção. Pra mim, o argumento de que o comercial é feio ou tosco por que o produto é para classe X ou Y não é válido. Infelizmente, muitas marcas cometem esse equívoco.

Uma vez li uma pesquisa interessante que dizia que com o crescimento do poder de compra da classe C, seus hábitos de consumo estão mudando. Hoje, o consumidor da classe C, pensa duas vezes ao comprar um produto que pareça ser de baixa qualidade. Se antes, marcas como a Dolly ganhavam público incorporando a imagem de preço baixo, hoje perdem público por transmitirem a imagem de qualidade baixa.

Bia Mendes disse...

Nossa, é realmente podre. Mas analizando a mensagem da campanha, e não propriamente a campanha, por mais que a intenção possa ter sido boa, não cabe relacionar "beba muito líquido" com todas as crianças virando uma garrafinha de Dolly. É incabível! Atinge sim a conclusão: Beba muito líquido, beba muito Dolly. Ainda mais pela linguagem que eles usaram na campanha, que é bem voltada para os pequenos.

Sr. Marcão disse...

Opa! Sobre o fracasso do comercial, DESCORDO! O comercial ainda está sendo veiculado, o produto vendido e mais do que isso, só aqui, até agora temos 15 posts! Vejo que vocês realmente estão preocupados em compreender e apontar possíveis falhas na abordagem e na suposta irresponsabilidade social (concordo), entretanto, o fato é que há diferenças entre públicos sim, há diferenças entre gostos e expectativas sim (vide Kant e a Crítica da faculdade do Juízo). Mas confesso que estou muito ancioso para ver o resultado da análise da reclamação do meu querido aluninho Rafael feita ao Conar. Vamos fazer um bolão para o resultado?

Sr. Marcão disse...

Mais uma coisa, vi o comentário do Murilo, também vi essa pesquisa sobre a expansão da classe "C" e os novos hábitos do consumidor, mas tem uma coisa que ainda não tive oportunidade de ver... Um comparativo dessa mudança e o confronto dos números de vendas de refrigerante. Acho que aí teremos argumentos mais contundentes para falar do sucesso ou fracasso de uma campanha ou credibilidade de um produto, afinal o Dolly é brasileiro e não desiste nunca!

Raphael, parabéns pela iniciativa!

Anônimo disse...

É realmente ridículo o modo como a Dolly encara seu público. Também discordo da ideia de que, só pq Dolly é um produto barato e direcionado pra um público mais pobre, vale qualquer coisa. Pode ser barato, mas as comunicações devem ter um mínimo de ética. Não é só pq é pra pobre q tem que incentivar o consumo de açúcar e de diversas outras porcarias que estão inclusas no Dollyxo. Deve-se respeitar o consumidor e o bom senso para q possamos ter uma comunicação responsável.

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