15 de mar de 2009

Futebol de domingo.

A publicidade e o esporte-paixão-nacional andam de mãos dadas já há algum tempo. Todos os anos acordos de patrocínios milionários são firmados entre os grandes clubes e as empresas interessadas. Que a publicidade vem mudando e sendo tomada por uma consciência reponsável mais profunda também não é nenhuma notícia nova. Mas, publicidade, futebol e as causas sociais não costumavam ter muito em comum. Pelo menos não até pouco tempo atrás.

Em Setembro de 2006, no auge de uma boa temporada, o Barcelona selou uma inovadora parceria com a Unicef. O clube, grande orgulho da nação catalã e de todos os inúmeros torcedores ao redor do mundo, carregava com orgulho 108 anos de tradição sem jamais estampar um patrocinador em sua camisa azul-grená. A Unicef é uma agência das Nações Unidas com o objetivo de promover o desenvolvimento e a defesa dos direitos da criança em todo o mundo. O acordo foi a gratuíta exposição do logo Unicef no uniforme do Barça. Para ambas as partes, a grande campanha serviu muito bem. Garantiu boa visibilidade das duas marcas, manteve alto o orgulho e a paixão dos torcedores, e angariou fundos para as causas da Unicef por meio de doações e contribuições pelo próprio clube. A iniciativa do FCBarcelona abriu as portas para uma nova forma de marketing esportivo.


Pouco tempo depois, em 2007, foi a vez do Boca Juniors. O time de maior expressão na Argentina expôs a logomarca Unicef nas mangas de seu uniforme azul marinho. O acordo, aos moldes do citado à cima, definiu que a cada camisa vendida pelo clube US$ 1 seria convertido à fundação.


Já no Brasil, no último mês de Fevereiro, durante da primeira fase do Campeonato Paulista de Futebol aconteceu o clássico confronto entre dois dos maiores clubes do esporte no país, Corinthians e São Paulo. Sabendo da grande audiência que o jogo teria, o Sport Club Corinthians, que embora estivesse em um grande momento de marketing não havia ainda fechado um acordo com patrocinador fixo, optou por usar um patrocínio de oportinudade exclusivamente para a partida. O time entrou em campo estampando em seu uniforme o logotipo da AACD. Durante os 90 minutos de jogo a Associação de Assistência à Criança Deficiente foi um dos focos de atenção por todo o Brasil.



Cada vez mais as empresas e instituições que dependem de uma forma ou outra da publicidade, como é o caso dos clubes de futebol, percebem os benefícios de seu envolvimento com ações de responsabilidade sócio-ambientais. A satisfação e orgulho de seus consumidores, ou no caso, torcedores, é a maior força que uma marca poderia querer para a construção de sua imagem. Essa é uma nova forma de publicidade, que só poderá dar certo se apoiada em uma efetiva prática da mesma reponsabilidade sócio-ambiental que lhes garante paixão por parte do público.

1 comentários:

Vitório Tomaz disse...

Muito legal isto, até mesmo por que as paixões de massa tem o poder de mobilizar massas.
Se o futebol se engajasse como a F1 está se engajando, acredito que o caminho paraa sustentabilidade será mais rápido.

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