17 de out de 2009

Que anúncio fazer para o dia do Professor?

O dia do professor passou e fiquei observando o que não aconteceu. Nada de grandes homenagens, festas, nem comemorações. Ao contrário, manifestações esparsas, de alguns amigos e conhecidos para uma rede tb de amigos e conhecidos. No espaço público da grande mídia, pouco ou quase nada. Anúncios então, foram raros - nenhum digno de ser postado aqui. E isso porque o esvaziamento do papel do professor na nossa sociedade reflete o simulacro que se tornou a educação institucional em nivel global. Acho que algumas salas de aula se tornaram o túmulo do conhecimento, mas com certeza o menos culpado por isso é o professor.

Numa sociedade em que a grande educadora das crianças é a publicidade e a TV comerciais, em que os pais abdicam conscientemente da árdua tarefa de educar seus filhos, em que o formato sala de aula com carteiras, quadro e giz se mostra muitas vezes inócuo, o papel do professor parece beirar a irrelevância. Enquanto há todo um discurso oficial e até um comercial na TV do MEC, tudo aprece se resumir a um blá blá blá institucional porque, na realidade, o professor tem pouco ou nada a comemorar. Mas será que é mesmo assim?

Na minha opinião, penso que nós, professores, temos uma oportunidade histórica e única. Independente do quadro geral que se apresenta, me pergunto: qual outra mídia pode contar com platéia tão cativa quanto uma sala de aula? Qual outro profissional tem a oportunidade de plantar sementes nos corações e mentes de crianças e jovens ainda em processo de formação? Qual outra profissão pode utilizar as novas tecnologias de forma tão transformadora e até subversiva? Qual outro profissinal tem a experiência de conviver com o pior e o melhor dos seres humanos em situações muitas vezes limite? Sem dúvida é um desafio, e acho que são muito poucos os que conseguem se dar conta disso. De minha parte, acho que o melhor de ser porfessor é o que se aprende todo dia. O valor dessa missão não precisa de anúncios ou homengens, irrelevantes diante da imensidão do desafio que é professar, todos os dias, os conhecimentos, crenças e ideais moldados na experiência única da convivência com alunos e parceiros de profissão.

Para concluir, insiro um lindo trecho de Eduardo Galeano, que minha amiga Bel, uma das melhores professoras que conheço, costuma citar em suas aulas.

A função da arte/1

Eduardo Galeano

Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.

Viajaram para o sul.

Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.

Quando o menino e o pai alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.

E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:

- Me ajuda a olhar!

In GALEANO, Eduardo. O Livro dos Abraços. Tradução de Eric Nepomuceno. Porto Alegra:L&PM, 1991 (4ª capa).

2 comentários:

Murilo disse...

http://www.youtube.com/watch?v=7lBWfCl9fIg

Entrou no ar faz pouco tempo, achei que fosse do dia do professor.

Murilo disse...

Aliás, feliz dia do professor... atrasado.
=P

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