26 de mai de 2009

Trabalhar na área da comunicação: sonho ou pesadelo?



Deu hoje em vários sites nacionais que a crise da Gazeta Mercantil pode levar ao fechamento do jornal, que é referência no mundo dos negócios. Embora ainda esteja no nivel da especulação, o que me vem a cabeça é porque nós, da área da comunicação, somos historicamente tão desarticulados quando se trata de nossos direitos? Pois se a Gazeta vier a falir, quantos de nós perderão o emprego? Assim como cabe perguntar: quantos já perderam seus estágios, empregos, cargos e projetos nessa crise recente? Quem tem essa informação? O sindicato? Não, porque são poucos os trabalhadores sindicalizados. As associações de agências? Também não porque elas representam os direitos dos patrões. Enfim, passar de madrugada em frente a agências e ver que elas são as únicas com luzes acesas nos prédios já foi um motivo de orgulho: "olha lá, deve ser o pessoal da criação, se matando para finalizar alguma campanha que entra no ar amanhã". Já foi, porque hoje isso me parece mais um sistema de exploração irracional e desumana, sobretudo de jovens recém ingressos no mercado, que dão literalmente o sangue e são descartados na primeira hora da crise. Não que eu defenda cartão de ponto, com hora pra chegar e sair, pois a publicidade nunca foi e nunca será uma profissão burocrática (se assim for, não é publicidade), mas acredito que é preciso urgentemente rever as relações de trabalho da área. Se o contratado são 8 horas diárias (sejam elas de manhã, ou de madrugada), o que ultrapassar deve ser negociado. Não apenas com os niveis de gerência e direção das agências, mas inclusive e sobretudo com o chão de fábrica, redatores, seretárias, assistentes, estagiários.

Acho que a sustentabilidade, tão pregada pelas agências, pode se concretizar em relações de trabalho mais justas entre elas e seus "colaboradores". Ironicamente, a agência Lowe fez uma ótima campanha para a OIT (organização internacional do trabalho da ONU), de combate ao trabalho escravo.

3 comentários:

Vitório Tomaz disse...

Justo, agora sinceramente, olho para tudo isto com muito desânimo, até mesmo por que a oferta é abundante, apesar de que bons profissionais são escassos, o que causa o Canibalismo.

Recebi estes dias este vídeo por e-mail: http://www.youtube.com/watch?v=ANoc0srXw3A

Acho que é exatamente isto, só que quando criancinhas a gente sonhava com o iMAC e muitos com as prostitutas, se certa forma o que nos conduz a este estado é o nosso pensanmento insustentável, estamos indo para onde caminhamos.

Anônimo disse...

É certo que a Gazeta ja era, quer dizer, era de um, será de outros..

Claudio Eduardo disse...

"Em casa de ferreiro o espeto é de pau."
Com esse chavão inicio meu comentário que dará manga para um post que pretendo desenvolver mais adiante.

Pois bem, acho que a mesma "malemolência" que torna nossa área agradável, atraente e "libertada" de algumas amarras, tal como o não preenchimento do cartão de ponto, acaba permitindo esse tipo de exploração.

Frases do tipo "Fique aí trabalhando até tarde, pois assim ganhará experiência" são comumente usadas para justificar tal postura dos "contratantes". Parece-me muito confortável para eles, ainda mais quando eles captam que há certa permissividade por parte dos "contratados".

Penso que há uma cegueira generalizada entre contratantes e contratados, inclusive minha ao explicitar como contratantes os “patrões” e contratados como “empregados”. Se há um contrato que prevê uma relação de troca, isso deve ser respeitado. Um cede dinheiro e “experiência”, outro fornece trabalho e “experiência” também.

No caso dos comunicadores, aqui trato de “contratantes-tados”, sobretudo quanto às agências de publicidade, paramos num tempo em que esforço era tido como forma de empenho e valorização, em quanto o que realmente vivenciamos é um momento, no qual o esforço é obrigação gratuita e desenfreada. Não precisa ser justificado, pois poucos questionam tal comportamento. Passou a ser natural embora não seja normal.

Também acredito que possuímos, através de uma comunicação mais sustentável, a possibilidade de alterar esse paradigma. Poderíamos começar pelo chão de fábrica de todo esse processo: nós, contratantes e contratados de comunicação.

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